Contraceptivos orais ajudam na prevenção de doenças

Por Caroline Bassetto

A aposentada Sebastiana Cotarelli, de 76 anos, já fala sobre o tema com naturalidade, mas na época em que os anticoncepcionais orais começaram a ser comercializados no Brasil, na década de 1960, o assunto era considerado um tabu para ela e para a maioria das mulheres da época. Segundo a aposentada, a pílula tratava-se de um método totalmente novo cuja proposta era trazer às mulheres em idade fértil e que fossem sexualmente ativas a prevenção de uma gravidez e, por esse motivo, aquelas que aderissem ao tratamento eram mal vistas pela sociedade. Por conta do preconceito inicial, Sebastiana nunca usou o medicamento.

Mesmo com toda a ‘resistência’ da sociedade, a pílula anticoncepcional ganhou a confiança de milhares de mulheres e completou recentemente 50 anos de existência. A partir deste período, a prevenção de uma gravidez indesejada se tornou realidade para muitas mulheres que confiaram na mais nova ‘revolução da medicina’. Era a primeira vez que um remédio era receitado para pacientes saudáveis.

A aceitação do medicamento foi gradativa. A advogada Andréa Vesco, de 44 anos de idade, começou com os anticoncepcionais orais aos 19 anos. “Eu já estava de casamento marcado e, por isso, não me sentia mal por estar me prevenindo. Quando eu comecei o tratamento, o uso de contraceptivo não era mais um tabu, porém, o sexo antes do casamento continuava sendo”, diz Andréa.

Até pouco tempo, na década de 90, existiam no mercado poucas opções do medicamento e, mesmo com a redução das dosagens de hormônios, os efeitos colaterais ainda eram um problema. No caso de Andréa, enxaqueca e enjoo eram os efeitos colaterais mais constantes. Por causa dos sintomas, ela resolveu abandonar o método e só iniciou um novo tratamento quando foi lançado ao mercado o MIRENA (endoceptivo, ou seja, um sistema intra-uterino que libera hormônio diretamente no útero).

Tratamento e prevenção de doenças

Depois que começou a sentir cólicas menstruais fortíssimas, a jornalista Mariana Shimuzu, de 25 anos, procurou o ginecologista e descobriu que sofria de endometriose. Quando a doença foi diagnosticada, Mariana tinha apenas 19 anos e logo iniciou o tratamento com anticoncepcional via oral. Ela conta que nunca havia sofrido com cólicas menstruais. Mas após esse período, começou a sentir fortes dores que só fizeram piorar “As dores começaram a ficar tão fortes a ponto de eu desmaiar e começar a faltar nas aulas da faculdade e no trabalho”. Segundo a jornalista sintomas como cansaço, dor, falta de consciência (desmaio) e suor frio apareciam somente nos dias de menstruação e prejudicavam até a sua vida social. Para a jornalista o tratamento é eficaz “não sinto mais dor, minha vida segue normalmente com ou sem menstruação”.

Inicialmente, a pílula era usada somente como um método que diminui drasticamente as chances de uma gravidez indesejada. Atualmente elas são usadas no tratamento de doenças como endometriose – doença causada pela presença de células do endométrio (revestimento interno do útero) instaladas em outros órgãos. O uso de anticoncepcionais no tratamento da doença contraria o mito de que as pílulas causam infertilidade se forem consumidas por um longo período. Segundo o núcleo José Reis de Divulgação Científica da USP, a endometriose atinge cerca de 2 milhões de mulheres no Brasil em idade fértil. Atualmente ela é uma das doenças que mais preocupam os médicos, pois além de provocar dores fortes ela ainda dificulta a possibilidade da mulher engravidar. 

 

Os números mais recentes

Segundo pesquisa realizada pelo Instituto Guttmacher e Tecnologia Contraceptiva, só agora as pílulas são consideradas seguras e eficazes.  Durante décadas, estudos são feitos para que haja uma redução na dose de estrogênio utilizando diferentes dosagens e tipos de progesterona, para que assim, os efeitos colaterais sejam cada vez menores. Hoje, existem várias pílulas no mercado com dosagens hormonais muito baixas.

Ainda segundo o Instituto, o uso das pílulas veem aumentando cada vez mais. De 2002 até agora, o aumento foi de 27% para 31%, ou seja, 64% das mulheres em idade reprodutiva (entre 15 e 44 anos) utilizam algum método contraceptivo e dessas, 31% apostaram suas fichas em anticoncepcionais combinados. Esse aumento no consumo do medicamento se deu porque foi constatado que sete em cada 10 mulheres são sexualmente ativas, mas não desejam engravidar. Além disso, o estudo mostrou que estas mulheres pretendem ter apenas 2 filhos e, para que isso aconteça, seria necessário que haja o consumo contínuo da pílula por cerca de três décadas.

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One Response to Contraceptivos orais ajudam na prevenção de doenças

  1. Mr WordPress says:

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