Transformando o lixo

Por Caroline Bassetto

 O meio ambiente está sendo frequentemente discutido em todos os setores da economia, por todas as classes socias e em vários países. E o aumento do lixo não é apenas um inconveniente.

Há dez anos a Prefeitura de Jundiaí resolveu eliminar o aterro sanitário da cidade. Com essa iniciativa houve a formação da empresa Armazém da Natureza, que atualmente recolhe todo o lixo reciclável.

Com um total de 117 funcionários, a empresa recolhe toda a parte de material reciclável. Segundo o diretor comercial da Armazén da Natureza, Igor Vian, todo material tem um destino final depois de separado, limpo e compactado pela empresa. “O papel, por exemplo, vai para as empresas de celulose. Nossa maior cliente neste ramo é a Klabin”. É recolhida uma média de 100 toneladas de papel por mês, e é tudo transformado em papel novamente. A maior quantidade de material recebido depois do papel é o vidro, em torno de 30 toneladas por mês, e todo vidro é transformado novamente em vidro.

Igor acredita que a conscientização da população vem aumentando, pois há dez anos a empresa recebia aproximadamente 100 toneladas de recicláveis, e atualmente recebem por volta de 900 toneladas.

            A coleta seletiva faz com que as empresas e cooperativas consigam separar todo o lixo reciclável e vender para empresas que reutilizarão esses materiais. É o caso da empresa Telhas Leves, onde o engenheiro eletrônico Luiz Antônio Pereira começou a investir no polietileno tereftalato, a  resina tradicionalmente usada em embalagens de refrigerante e água mineral, para fazer telhas. O custo do metro quadrado do produto é de R$ 39, duas vezes mais alto que o da telha convencional de barro, que gira em torno de R$ 19. Mas, de acordo com Pereira, devido à sua leveza, o gasto com a estrutura do telhado custa R$ 15, um quarto do preço da tradicional, que é de R$ 70 em média

Para o engenheiro, a vantagem dessas telhas é que elas podem diminuir drasticamente a poluição que afeta o meio ambiente. “Com a reciclagem do PET, existe a possibilidade de controlar esse problema, pois o material poderá ser transformado em outros produtos de grande utilidade e necessidades básicas para as pessoas”, afirma Luiz Antônio Pereira.

A colet            a das garrafas PET é feita por cooperativas e associações de catadores de lixo. O material é vendido por quilo e todo mês é comprado o material necessário.

A boa durabilidade das telhas feitas a partir do PET tem relação ao seu tempo de degradação. As garrafas PET, expostas ao meio ambiente, demoram aproximadamente 300 anos para se degradar. A partir desta realidade, a expectativa de durabilidade das telhas feitas com esse material é de 40 anos, enquanto a telha de barro, cerca de 20 anos.

As telhas feitas de PET foram preparadas para resistir a uma temperatura superior a 85°C, o que está muito acima da temperatura que normalmente encontramos na superfície dos telhados.

Em relação à resistência dos telhados feitos com telhas de PET, o engenheiro explica que é a mesma resistência das telhas tradicionais, e que pode andar sobre o telhado pisando sobre as áreas sustentadas pelo ripamento, como em qualquer telhado tradicional.

Brincando com lixo

Em agosto de 1995, Leila Novak criou uma ONG que transforma lixo em sustentabilidade e responsabilidade social. Com o objetivo de retirar das ruas crianças e jovens que viviam ao redor do lixão de Atibaia, interior de São Paulo, foram criadas oficinas profissionalizantes de reciclagem de papel que oferece capacitação para os jovens carentes. Assim nasceu o Projeto Curumim.

Hoje, 14 anos depois, a ONG fabrica agendas, cadernos, blocos e cartões temáticos. Tudo feito com papéis, jornais e papelão que iriam para o lixo. A cada semana, são arrecadados 2 kg de papel e papelão. O material chega à sede da instituição através da troca desses materiais recicláveis por alimentos, roupas e calçados – tudo adquirido por meio de doações feitas pela comunidade local.

Segundo o técnico em papel reciclado Lorival Batista, o projeto proporciona mudanças de valores e hábitos, desenvolvendo a consciência de respeito ao meio ambiente. “Aprendendo a reciclar papel, os jovens trabalham a sua postura dentro do contexto socioambiental” concluiu.

O projeto se mantém a partir de parcerias estabelecidas com o poder público, com empresas privadas e também com a venda dos produtos recicláveis para essas empresas, que os utilizam como brindes. Todo o dinheiro arrecadado é revertido para os vários projetos com crianças carentes, como oficina de hip hop, aulas de dança, bateria e capoeira. Atualmente a ONG atende cerca de 120 crianças e já beneficiou dois mil jovens da periferia com idades entre 6 e 15 anos.

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